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Comunicação política em novos tempos

17/03/2010

Todos já sabiam que ela seria a vedete na corrida eleitoral para o pleito de 2010, mas antes mesmo da virada do ano a utilização da internet por políticos já vinham chamando a atenção para a abertura da campanha, a criação de conceitos, a busca pelo eleitor ou mesmo pela sua consciência.

Pelo twitter, por blogs, e-mails e outras mídias, a militância iniciou um processo agressivo de persuasão do eleitorado, um espaço em que se diz ser de contato e interação com os simpatizantes do candidato, do partido ou mesmo da sua tendência política.

Mas como tudo que acontece na rede, o que acabamos vendo de sobra é a criação de perfis fakes, que tem o intuito de disseminar informações contrárias ao partido de oposição, dossiês divulgados por e-mail que trazem a verdade suprema que só interessa a um lado da moeda. Ou seja, quando achamos que o marketing político está evoluindo, que vai utilizar as mídias digitais para estabelecer uma comunicação mais transparente e mais interativa observamos a mesma perversidade utilizada em eleições anteriores.

A questão é que estes e-mails são construídos de uma forma que atraem as pessoas a dispararem as mensagens como correntes do bem, que propõe a reflexão em nome da moral, da ética, uma luta contra a corrupção. O grande problema é que as próprias mensagens demonstram um tendencionismo clássico de uma militância que chega a ser mais agressiva que torcida de time de futebol. As pessoas acabam não tendo discernimento para fazer uma análise mais profunda sobre os candidatos, seu perfil, seu passado, suas obras e mesmo sobre a importância do seu voto.

Esta semana por exemplo recebi uma mensagem  por e-mail que dizia ter sido retirada de um blog que privilegiava a democracia (sinceramente nem procurei se realmente o texto saiu de algum blog) e fazia uma comparação entre os dois principais candidatos a presidência em 2010. O e-mail trazia informações interessantes sobre os dois candidatos, mais o enfoque forçava a barra para o conceito de que um era de família humilde e outro era de uma classe nobre, como se isso fosse um atestado do caráter dos candidatos. A abordagem deixava claro se tratar de uma mensagem tipicamente produzida pela militância.

Eleição 2010: é preciso estar atento

Eleição 2010: é preciso estar atento

Em 2008 a internet já tinha sido decisiva nas eleições em diversos cantos do país, como aqui em Belo Horizonte que teve mudanças de cenário tanto do primeiro quanto no segundo turno para as eleições para a Prefeitura. Discorri sobre as eleições de 2008 e as tendências para 2010 neste post, mas com as rápidas mudanças e discurso sobre a utilização das redes sociais, a expectativa era de que a utilização da internet fosse marcada pelo alto nível de informações e de diálogo, com menos incoerência. O caráter denuncista já é o foco da campanha dos partidos.

O que esperávamos dos comunicadores políticos é que a comunicação nos novos tempos fosse feita com mais responsabilidade, abrindo para o eleitor a oportunidade de dialogar com os candidatos, de propor soluções, de conhecer sua vida pregressa, tudo de forma transparente. A comunicação que se propunha interativa continua análoga ao passado

A nós eleitores falta mais senso crítico, falta mais atitude, falta mais percepção para as manobras que continuam decidindo eleições e levando ao poder pessoas que nem sempre estão qualificadas para representar a sociedade e seus anseios. Já havia alertado sobre isso também, por isso estejamos atentos.

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6 Comentários leave one →
  1. 17/03/2010 14:02

    Ano passado li na IstoÉ entrevista com Vera Chiaia e ela falou justamente isso: a internet não vai democratizar o acesso às campanhas ou à cidadania e vai ser mais um espaço ocupado pelos militantes, que já fazem off line, em busca de votos dos usuários não engajados.E é bem o que são estas correntes.

    Mt bom texto.
    MATEUS

  2. 23/03/2010 14:30

    Acho que esse tema será bastante discutido esse ano, ainda mais pela particpação já certa do estrategista da campanha oline de Obama, na campanha da pré candidata à presidência Dilma.

    No ABRAPCORP creio que também discutiremos isso, já que a temática da comunicação pública/política será o foco no evento… Acredito que a palavra RESPONSABILIDADE deva estar presente semprw q

    • Ricardo Campos permalink*
      31/03/2010 19:34

      É verdade Mateus e Fábio,

      Vamos aguardar as novidades, mas a largada já foi dada para a campanha eleitoral pelas mídias digitais.
      Acredito que vai ser um Deus nos acuda, mas também será um espaço onde o eleitorado poderá se manifestar.

      Obrigado mais uma vez pela participação.

      Um abraço,

      Ricardo Campos

  3. 28/08/2010 12:19

    Ótimo post, Ricardo.

    Tendo lido esse seu texto muito tempo depois que escreveu, talvez já possa lhe dizer um pouco da experiência que tenho passado. Esse ano estou trabalhando como analista de mídias sociais para um candidato a Deputado Federal em Minas e estamos com uma equipe muito boa, boas idéias, conceitos fortes, estratégias claras, todo mundo empenhado. Porém, a grande diferença do trabalho realizado em mídias sociais por uma marca comercial e uma marca política é o engajamento. Da mesma forma, a grande diferença de uma campanha política nos EUA e no Brasil também é o engajamento dos eleitores. O brasileiro, infelizmente, ainda não aprendeu a ter o interesse por política e rejeita veementemente qualquer conteúdo político. A minoria é que discute, analisa e é realmente crítico, busca por conteúdo relevante.

    Por outro lado, os candidatos ainda não entenderam que uma campanha dese tipo não se faz três meses antes do pleitos mas, sim, muito antes, já que é necessário construir uma marca forte. Caso contrário, vemos isso que está acontecendo: Apelação, perfis fakes, spams… tudo para conquistar a atenção que teria caso já houvesse um trabalho forte de construção de “marca” e relacionamento. Uma simples transferência das táticas adotadas da TV, rádio e jornais para a Internet, agora.

    Portanto, acredito que antes que trabalhos de mídia sociais para fins políticos ‘bombem’ no Brasil, é necessário ter antes engajamento político por parte dos brasileiros. Interesse mesmo. Tenho percebido que tem funcionado plenamente com quem realmente está na grande mídias, como os três presidenciáveis mais fortes; quem está com trabalho desse tipo há mais tempo e quem busca estratégias alternativas e boas para atrair atenção, como disponibilizar conteúdo relevante, que é a que adotamos.

    Enfim, meu comentário virou um post! rsrs Mas quis aproveitar para compartilhar minha experiência. Dá uma ótima discussão e o assunto vai longe! Abraço e parabéns por ter sido selecionado entre os melhores posts do ano! Mereceu.

    • Ricardo Campos permalink*
      28/08/2010 15:21

      Olá Marcos,

      Que bacana receber seu depoimento que na verdade vai de encontro a forma como vejo o desenrolar da campanha no Brasil. Estamos mesmos viciados, os políticos com a forma de como o debate sobre os problemas da agenda nacional acontecem e nossa sociedade que demonstra uma imaturidade e um desapego quando o assunto é política.

      Meu último post vai justamente na direção sobre a qualidade da informação que consumimos e cito a questão da campanha, que deveria ser um momento de estarmos atentos as propostas, de discutir soluções com os candidatos, de refletimos sobre o que queremos para o futuro do Brasil, do nosso estado e da nossa cidade. A própria população não está preparada para discutir os grandes problemas e as soluções para um Brasil melhor. No momento de ouvir os candidatos trocamos ou desligamos a televisão ou o rádio, damos unfollow em candidatos no twitter enquanto este seria um fórum importante de discussão sobre suas intenções, não pesquisamos sobre o histórico de nossos candidatos, não analisamos as propostas. Achei um absurdo o debate dos presidenciáveis na Band ter uma audiência pequena em relação ao futebol da Globo.

      Por outro lado os candidatos perpetuam o modo arcaico de fazer política e a propaganda política, pois na verdade como é o título do meu último post “A informação que queremos é a informação que obtemos”.

      Obrigado por sua contribuição que enriqueceu muito este debate, principalmente de uma pessoa do mercado que atua diretamente com o marketing/comunicação política. Em tempo tenho acompanhado seu trabalho para o Jorge Periquito e está muito legal, conteúdo realmente relevante, abertura para o debate e comunicação com os eleitores por meio das mídias sociais, ações de relevância como a retirada dos cavaletes, enfim, tudo muito bacana. Indico aos visitantes conferirem o site http://www.jorgeperiquito.com.br/ pois é realmente um case de sucesso.

      Um abraço,

      Ricardo Campos

  4. 30/08/2010 14:16

    Que honra, Ricardo, receber elogios da sua parte. É muito bom receber o reconhecimento de um profissional forte! Posto a quem trabalho (rsrs), é um grande desafio trabalhar com uma mídia “nova” para fins políticos. Felizmente temos tido um retorno bom, com boas expectativas de crescimento, tentando utilizar o que a ferramenta permite, não simplesmente transferindo estratégias offline para online… pelo contrário, buscamos a convergência. A cada dia mais pessoas tem se relacionado e comentado a respeito do Jorge Periquito, do site, conteúdo, etc.

    Eu tenho forte esperança que nós, brasileiros, tenhamos mais interesse por política e entender que a participação no processo eleitoral, acompanhar os candidatos, ler suas propostas e discutir são importantes para que isso se reflita num governo melhor para nós. Aos poucos, tenho sentido que isso está acontecendo, a passos curtos, mas está.

    A tempo: Saiu uma pesquisa da ComScore que apenas 2% de usuários de Internet no Brasil acessam conteúdo político, contra 9,8% nos EUA. Esses números demonstram a importância da participação e a diferença que isso faz.

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