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É livre a manifestação do pensamento

29/09/2009

O senado federal aprovou neste mês, 16, o texto base do projeto (PLC 141/09) que altera a Lei Eleitoral. Entre os destaques está a liberdade para a utilização da internet sem restrições nas eleições de 2010. As restrições formuladas pela Câmara foram derrubadas pelo Senado, demonstrando um avanço, já que seria praticamente impossível o TSE fiscalizar toda a rede em busca de provas contra milhares de candidatos por todo o país. A livre manifestação do pensamento foi respeitada pelos nobres senadores.

Assim a internet será um campo aberto para que candidatos a presidente, a senador, a governador, a deputado federal e a deputado estadual possam divulgar suas idéias, estabelecer o diálogo com seus eleitores e também confrontar seus adversários.

O tema foi destaque em vários blogs, destaque para os posts de O Cappuccino e Innova Comunicação, onde a reflexão gira em torno do desafio que os políticos terão, já que as mídias aproximam o candidato do eleitor, que está diferente de outras eleições, já que tem ao seu alcance diversos canais para se informar. Uma coisa é certa, será inevitável o combate e o caráter denuncista que a rede terá no processo de 2010.

Nas eleições de 2008 a internet já demonstrou uma eficiência extraordinária, alterando os rumos das eleições em diversas cidades, inclusive aqui em BH. Com a ampla utilização da rede os candidatos a prefeito causaram reviravoltas no processo e a corrida eleitoral ganhou conotações de emoção na alternância dos candidatos na preferência do eleitorado entre o primeiro e o segundo turno. Foram sites, blogs, vídeos que rapidamente se tornaram virais, arquivos de áudio, a sua grande maioria com denúncias sobre o outro candidato.

A decisão das eleições de BH foram analisadas no artigo apresentado pelo Professor Admir Borges no XXII Congresso Brasileiro de Comunicação – Intercom 20009. Com artigo intitulado A comunicação viral nas Eleições 2008: um recurso que alterou o processo de decisão do voto em Belo Horizonte o professor concluiu que a web teve um importante papel na decisão de voto do eleitorado de BH.

A rede propicia aos profissionais de marketing político a possibilidade da informação ser divulgada com muito mais dinamismo e alcançando uma grande massa que replica aquilo que lê, vê e ouve. Um campo fértil para a divulgação do candidato e também para denúncias contra os oponentes, de uma forma muito mais econômica. A possível contratação do coordenador de campanha online de Barack Obama, Ben Self, para a campanha de Dilma dá o tom de como será a disputa em 2010 e de como a web será amplamente utilizada pelos candidatos.

Que nos eleitores possamos ter um pouco mais de senso crítico para lidar com a informação que será gerada na disputa eleitoral de 2010, que possamos estar atentos as armadilhas preparadas por profissionais que tem apenas um interesse: eleger a qualquer custo determinado candidato, mesmo sabendo que ele não tem o preparo para assumir o grande desafio de nos representar no legislativo ou executivo. Que possamos estar conscientes no momento do voto.

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3 Comentários leave one →
  1. 29/09/2009 15:11

    Oi Ricardo, a contratação já está acertada de Ben Self para trabalhar na campanha da Dilma (http://www.baguete.com.br/noticiasDetalhes.php?id=3510573)

    Sobre o uso político da inernet concordo com a opinião de Vera Chaia em entrevista a IstoÉ: “A internet não vai mudar a política” (http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2073/artigo145556-1.htm). Ela fala resumidamente que nada irá mudar, e quem usa a rede para política já são os engajados na vida real, os militantes. ‘O que vai acontecer é o uso e abuso da internet pelos marqueteiros, assessores de campanha, militantes.’ Mas ela também afirma que o registro (o que tá escrito fica marcado) da internet é importante, é a memória da rede: ‘As comunidades têm uma força política por trazer à tona determinadas discussões que não se fazem, muitas vezes, presentes de forma mais clara na vida real. Em 2006, acompanhei algumas comunidades e uma delas tentava justificar a derrota de Geraldo Alckmin. Havia claramente brigas políticas entre dois grupos presentes na comunidade. Um ligado ao José Serra e outro ao Alckmin. E os “alckmistas”, como eles se denominavam, criticavam o PSDB e o Serra por não terem dado o apoio devido em 2006 à candidatura de Alckmin. E foi efetivamente o que aconteceu. Nesse sentido, você vê o conflito se manifestando na internet. No mundo real, você ouve, mas não acompanha. A vantagem da internet é que muitas coisas são clarificadas.’

    Enfim, é esperar para ver, mas me parece que não teremos grandes surpresas, serão blogs atualiazados sempre defendendo a campanha e atacando os adversários. Só que agora nao receberemos mais malas diretas no correio de casa e sim convites para acessar blogs, comunidades no orkut, perfis no twitter e outros.

    Mateus

    • Ricardo Campos permalink*
      01/10/2009 14:30

      Olá Mateus,

      Obrigado mais uma vez pela contribuição.

      Compartilho da sua opinião e também da Vera Chaia de que a internet não vai mudar a política, a estrutura continuará a mesma. Mas a internet será utilizada como um campo aberto da batalha entre os candidatos na busca pela persuasão junto ao eleitorado. A geração de uma quantidade enorme de informação trará desafios para nós eleitores que teremos ainda mais trabalho para conferir se a informação que nos chega é realmente verdadeira e baseada em argumentos fiéis ou se não passa de uma campanha difamatória contra determinado candidato. O grande problema é que a grande massa acredita na primeira coisa que lê.

      Ao mesmo tempo teremos acesso, como você mesmo disse, a informações de tudo que ocorre nos bastidores do poder. E mesmo com o número excessivo de informações, poderemos votar mais conscientes.

      Assim como tudo na vida, existem os pontos positivos e os pontos negativos que o uso da internet já nos proporciona.

      Um abraço,

      Ricardo Campos

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