Skip to content

Globo x Record: nesta briga alguém tem razão?

17/08/2009

Temos acompanhado diariamente o embate entre a Rede Globo e a Rede Record, uma briga de “cachorro grande” que tem ao centro os telespectadores, obrigados a assistir diariamente as denúncias de ambos os canais, longos minutos dispensados para ver como a briga pelo poder da comunicação e do discurso é suja. Diante da “lama” jogada no ventilador, quem é santo nesta história?

Para quem é comunicador, como eu, aprendemos ainda na faculdade que o poder exercido pela comunicação de massa é o imenso, afinal por meio de uma novela, de um telejornal, de um documentário, é possível criar tendências, eleger e derrubar presidentes da república, fazer com que a grande massa siga como um robozinho para onde os interesses das ondas da televisão mandarem. Sábios deste poder, a Globo que sempre comandou sozinha a programação brasileira agora vê batendo a sua porta a Record, canal que era evangélico, mas que se rendeu a programação pagã para alcançar os mesmos níveis de audiência da sua concorrente.

Não é preciso muita atenção para notar que estas duas Redes de Televisão estão no mesmo caminho, não apenas na programação que está cada vez mais parecida (vide os programas como Globo Repórter e Repórter Record, BBB e a Fazenda) mas também nos erros, nas falcatruas, na opção de continuar levando ao público uma programação que banaliza o sexo, a família, a violência, uma programação que pode ser chamada de “tábua rasa”, sem muito a acrescentar.

Os interesses sobre a televisão são tão grandes que o próprio Ministro das Comunicações, Hélio Costa, recentemente soltou esta máxima: “Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet, tem que assistir mais rádio e televisão” Veja bem, nosso próprio ministro interpelando os jovens contra o uso de uma mídia tão plural e democrática quanto a internet para atender aos interesses dos grandes grupos de comunicação e a manutenção do monopólio da informação.

Para concluir estas reflexões sobre a briga entre a Globo e a Record gostaria de destacar dois pontos:

1 – A briga é entre duas redes de televisão que tem interesses mercadológicos e financeiros na manutenção da audiência. Não podemos deixar que transformem uma briga entre empresários numa briga religiosa, como muitos estão tentando fazer. Atualmente a Record não representa os seus milhares de evangélicos e nem a Globo os católicos e qualquer discurso ao contrário não passa de uma tentativa de aumentar ainda mais a audiência e a geração de lucros astronômicos.

2 – Olhando para a atual situação, podemos afirmar que alguma rede tem razão neste embate que acompanhamos na última semana? É bom lembrar que “pimenta nos olhos dos outros é refresco” e que as redes não estão abertas para olhar para seus próprios problemas antes de apontar para o erro das outras.

Que possamos sim ter uma opinião a respeito da situação, aguardar que os órgãos competentes possam punir os desvios, mas sem nos deixar levar pelo denuncismo barato das redes que brigando para provar “quem é a pior” deixam de lado o verdadeiro debate que é a exigência de uma programação de qualidade.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: