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Os abusos midiáticos no caso Nardoni

15/05/2008

 

Não quis me pronunciar sobre a cobertura do caso Nardoni, até mesmo para que após o desfecho que todos esperavam, pudesse fazer uma avaliação sem a emoção do momento.

 

Mas esta triste história envolvendo os Nardoni demonstrou que a mídia brasileira não aprendeu a lição com o caso Escola Base e cometeu os mesmos erros e abusos na cobertura e na divulgação de informações acerca do caso.

 

Ao invés de levar a informação concisa e sem preleções, de levar a população à reflexão, a mídia preferiu percorrer caminhos mais tortuosos e transformou o caso em espetáculo, em uma grande  novela, onde a ordem era antecipar o veredicto dos suspeitos.

 

No programa Observatório da Imprensa do dia 15 de abril, Marcelo Resende da Rede TV, defendeu a cobertura dos principais meios de comunicação dizendo que as informações se baseavam em depoimentos das autoridades policiais e judiciais. Mas qualquer comunicador deveria ficar surpreso com as declarações e mesmo questionar a postura das autoridades. Basta lembra da postura de uma delegada que no primeiro contato com o casal após o fato, chamou-os várias vezes de assassinos, sem ao menos uma apuração mais detalhada. 

 

Capa Jornal Diário de São Paulo

 

Não me cabe aqui a defesa ou a condenação dos suspeitos, mas verificamos no caso da delegada uma grotesca falta de isenção na condução do caso e principalmente dos meios de comunicação de difundir informações deixando explicitamente a opinião de que o casal era o culpado da morte da menina,  antes mesmo do julgamento do crime.

 

Deixo as palavras do Alberto Dines na abertura daquele programa do dia 15 de abril e que demonstra a percepção que a cobertura jornalística do caso Nardoni deixou para comunicadores, que como eu, não aceitam passivamente os erros e as contradições do jornalismo brasileiro.    

 

Uma das funções da mídia, entre outras, é fazer pensar. Mas, neste caso, ninguém quer pensar – prefere-se acusar, julgar e encerrar o assunto. Mas o interesse da sociedade é fazer justiça. Fazer justiça é uma das maneiras de encerrar este ciclo de crueldade pelo qual pouca gente está realmente se importando.

Alberto Dines – Observatório da Imprensa – 15 de abril

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