10.28.09

Eleições Sistema Conferp e a profissão: um desafio de todos

Enviado em Análise Crítica, Reflexões, Relações Públicas, Relações Públicas Excelentes tagged , , , , , às 21:40 por Ricardo Campos

Amanhã, dia 29 de outubro, os relações públicas de todo o país tem um compromisso muito importante para a categoria: as eleições do Sistema Conferp. A oportunidade de confirmar por meio das urnas a continuidade ou o início de um árduo trabalho, o de representar e zelar pelos interesses de uma profissão.

Muitos profissionais vão amanhã as urnas exercer o seu direito ao voto, mas sem saber ao certo o real valor de sua votação, sem compartilhar com as chapas e profissionais que a compõem a intenção de colaborar para que possamos ter uma categoria forte e atuante. Sobram críticas, mas pouca participação e empenho para mudanças concretas e benéficas para a profissão.

Esta inércia talvez explique o fato para que as eleições para o Conferp e Conrerp, na maioria das regiões, tenham apenas uma chapa concorrendo ao pleito. Os conselhos ainda não são reconhecidos como espaços de poder, um lugar onde os profissionais queiram estar para contribuir, doar um pouco do seu tempo, colaborar para a mudança tão questionada e solicitada por muitos.

Acredito que muitas das cobranças partem do fato dos próprios profissionais desconhecerem os atributos e obrigações que cabem ao conselho, que é o de fiscalizar, normatizar e cuidar para que a ética profissional possa ser cumprida. Muitos querem apenas benefícios pessoais, esquecendo-se de a luta é por algo maior: a profissão.

Eleições Sistema Conferp: participação na gestão é primordial

Eleições Sistema Conferp: participação na gestão é primordial

Num cenário tão difícil cabe-me deixar os efusivos aplausos aos profissionais que aceitaram o desafio de estar a frente de uma gestão do Conferp e dos Conrerps e de representar nossa categoria. Por acreditar que mesmo com limitações e falta de apoio podemos sim deixar nossa contribuição para a profissão, mesmo sabendo que este é um trabalho que exige a disponibilidade de parte do nosso tempo (cada vez mais escasso), de dedicação, onde uma fiscalização pode inclusive fechar algumas portas, e onde não existem ganhos financeiros, ou seja, é um verdadeiro gesto de amor pela profissão.

Que nós enquanto profissionais possamos estar mais presentes nos nossos conselhos, que possamos contribuir com idéias e projetos, que possamos contribuir com nosso esforço pessoal e atitude, que possamos inclusive criticar, mas ao mesmo tempo se disponibilizando para a mudança. Que as Relações Públicas, que já é reconhecida pelo mercado e por outros profissionais de comunicação, possam alcançar o mesmo nível entre a própria categoria.

Eleições Sistema Conferp

Data: 29/10

Horário: De 09 às 17h (horário de Brasília)

Para votar acesse www.conferp.org.br ou www.siconferp.org.br

10.24.09

Aos mestres com carinho

Enviado em Análise Crítica, Reflexões tagged , , , , , às 19:29 por Ricardo Campos

No último dia 15 de outubro comemoramos o dia dos professores, figuras que outrora eram respeitados, principalmente pelos alunos e seus pais. Sempre coube a eles o papel de ensinar a matemática, o português, a ciências, dentre outras e também no convívio entre os alunos demonstrar a importância de valores para se manter em sociedade.

Hoje esta nobre missão ainda cabe aos professores, mas o respeito de alunos e até mesmo dos pais já não é o mesmo para com estes profissionais. Além dos baixos salários, os professores de escolas públicas têm que lidar com a agressividade e até com as ameaças, muita das vezes estimuladas por aqueles que deveriam dar o exemplo: os pais.

A permissividade na criação de nossos filhos vem transformando as relações sociais e hoje existe uma quebra de hierarquias importantes para um convívio harmonioso. Vivemos um processo de anarquia.

Professores: uma realidade nada agradável

Professores: uma realidade nada agradável

Na semana passada visitei dezenas de escolas públicas, privadas e tecnológicas de Belo Horizonte para divulgação de uma ação voltada para valorização do professor. Em algumas instituições da instituição de ensino pude constatar a dura realidade, professores tendo que fazer o papel dos pais, de não apenas ensinar as matérias já destacadas, mas inclusive de passar ensinamentos que cabe a família transmitir, como o respeito, a educação, o amor ao próximo.

De uma forma heróica estes profissionais continuam apaixonados pelo ofício e com a oralidade continuam transmitindo todos os ensinamentos para a construção de um futuro, se empenhando para intervir na realidade de crianças e jovens.

Professor Nota 10

Pensando nesta valorização do professor é que o UniBH lançou o concurso Professor Nota 10 que vai agraciar o profissional mais votado com uma viagem para a Grécia. A ação que privilegia a relação professor/aluno ainda vai conceder bolsas de inglês para os alunos e kit multimídia para a escola.

Para participar e conhecer as regras os alunos devem acessar o site da Jovem Pan BH, realizar o cadastro e indicar o seu professor mais querido. Participe.

09.22.09

Crise favoreceu o meio ambiente

Enviado em Análise Crítica, Reflexões, Sustentabilidade tagged , , , , , , , , às 04:02 por Ricardo Campos

O jornal britânico Financial Times antecipou nesta segunda, 21, algumas conclusões do relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) que só deve ser publicado em novembro. O relatório concluiu que se a crise foi prejudicial para o empresariado e também para a maioria das nações, o planeta ao contrário agradece. No período houve redução significativa nas emissões de CO2, fruto da diminuição da atividade produtiva e do consumo de energia. A redução das emissões foram superiores a crise econômica de 1981, conhecida como a crise da Opep (petróleo).

Segundo o economista-chefe da AIE, Fatih Birol as reduções foram surpreendentes, e ajudaria bastante se o fenômeno se repetisse, minimizando as conseqüências do aquecimento global.

A notícia é um avanço para as discussões sobre o aquecimento global e um aperitivo do que será discutido no encontro da cúpula internacional em Copenhage, evento que reunirá 190 países para estabelecer um novo pacto global que busca diminuir a emissão de carbono no mundo.

Animação sobre o aquecimento global: vale a reflexão

Mas é notório que as discussões não serão fáceis, pois as grandes nações se negam a abrir mão do desenvolvimento e de atender a solicitação das nações emergentes que sugerem uma contribuição de até 1% do PIB destes países para financiar temas ligados ao clima. É lamentável que após anos de crescimento desenfreado e de acabar com todos os seus recursos naturais os países desenvolvidos não queiram negociar e abrir mão dos intensos ganhos que já perduram a diversos anos.

A crise econômica foi contornada com sabedoria por muitas nações, falta agora aplicar a mesma inteligência para a questão climática, que não é mais emergente, é urgente.

09.18.09

Da crise a redenção

Enviado em Análise Crítica, Gestão de Negócios, Reflexões, comunicação tagged , , , , , , , , , , , , , , às 21:15 por Ricardo Campos

A última terça-feira, 15, marcou um ano do início da crise econômica mundial, data em que o Banco Lehman Brothers quebrou revelando uma grande farsa na questão das hipotecas e levando o mundo a derrocada. Estima-se que a crise pulverizou 50 trilhões de dólares, o equivalente ao PIB produzido em todo o mundo.

Neste período empresas quebraram, assim como outras instituições financeiras, o desemprego aumentou e com ele a recessão que prometia conseqüências piores do que a depressão causada pela quebra da bolsa em 1929. A marolinha acabou virando um tsunami (não no Brasil, segundo o Lula e o Le Monde) que poderia acabar com qualquer nação que duvidasse da sua força. Mas o alarme foi soado a tempo e após um ano o mundo volta a respirar, já estamos com o pé no pós-crise.

Mas a crise, assim como todos os problemas enfrentados pela humanidade, traz uma série de ensinamentos que nos possibilitará, no futuro, se precaver de novos acontecimentos. E uma das grandes lições que esta crise demonstrou foi a fragilidade do sistema financeiro mundial, principalmente nos Estados Unidos, que não mantém uma política rigorosa de controle sobre as instituições financeiras. Eles aprenderam com o Brasil de que é necessário um controle maior do Estado para que a irresponsabilidade de alguns empresários não cause danos a nações inteiras.

Os países emergentes, justamente por manterem políticas próprias e por terem escutado a tempo o soar do alarme, tomaram providências para que as conseqüências sobre as economias locais fossem reduzidas.

Segundo o Le Monde Lula tinha razão: no Brasil crise foi apenas uma marolinha

Segundo o Le Monde Lula tinha razão: no Brasil crise foi apenas uma marolinha

O Brasil, quem diria, entrou em cena e virou destaque dentro do turbilhão, justamente por ser um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair, utilizando como estratégia a redução de impostos, a concessão de incentivos fiscais, aumento do crédito, etc. Nosso país sai desta crise fortalecido estando presente nos principais fóruns de discussão e reuniões sobre economia, algo inimaginável a alguns anos atrás. Estamos dando aula de economia para os gringos, sendo que a poucos anos atrás tínhamos o FMI ditando o que deveríamos fazer ou não.

E assim, após um ano do início de uma das piores crises econômicas mundiais, o Brasil demonstrou a sua maturidade, demonstrou que está pronto para fazer parte do círculo das nações mais respeitadas do mundo, que pode hoje negociar de igual para igual com os grandes, deixando para trás a herança de uma nação subalterna proveniente da época colonial. Somos sim, uma grande nação!    

Para gestores, bem como comunicadores, a crise diminuiu o budget, houve adequações, mas a necessidade de se comunicar com clientes e demais públicos fez com que a área mantivesse-se movimentada. Os investimentos começam a voltar, com parcimônia, como deve ser mesmo, o setor se restabelecendo frente a um cenário controverso, principalmente nas organizações que tem no mercado internacional a sua base comercial. Com certeza, todos terão a possibilidade, assim como a maioria das organizações brasileiras, de passar da crise a redenção.

09.16.09

Sustentabilidade empresarial: ponto forte são os colaboradores

Enviado em Análise Crítica, Gestão de Negócios, Sustentabilidade, comunicação tagged , , , , , às 00:34 por Ricardo Campos

A sustentabilidade está aí, é a palavra da moda, está nas rodas de bate papo, virou tema de debates, de trabalhos acadêmicos e TCCs. Fico feliz de que a temática tenha despertado principalmente a academia e que a cada dia novos trabalhos são elaborados nesta direção. Não é a toa que os meus posts que recebem mais comentários são justamente os que discorrem sobre a sustentabilidade, normalmente questionamentos de estudantes as voltas com seus Trabalhos de Conclusão de Curso.

Mais do que estar na moda, é importante observar que a sustentabilidade vem se tornando um modelo de gestão, fazendo com que a atitude de toda uma empresa seja repensada em prol das novas exigências.

E para que a uma empresa possa cumprir seu papel sócio-ambiental e ainda gerar riquezas ela tem que contar com um elo fundamental para seu sucesso: os colaboradores.

É notório que para readequar seus negócios para um modelo sustentável as empresas investem boas somas de dinheiro, mas que de nada adiantará se os próprios colaboradores não internalizarem a nova proposta. A co-responsabilidade para projetos ligados a sustentabilidade se torna a chave para o sucesso de sua implantação e perenidade. Afinal os colaboradores estão na linha de frente, em contato permanente com nossos clientes, fornecedores e demais públicos de interesse, estabelecendo conceitos e formando opinião. São eles que vão externalizar o novo momento vivido pela organização e alinhar com as expectativas dos demais públicos.

Para nós que estamos ligados as áreas de comunicação e gestão podemos dar uma importante contribuição, com campanhas de mobilização, materiais explicativos, ações internas como esquetes e outras intervenções teatrais, ampla divulgação digital, competições internas que privilegiem as reflexões em torno da proposta, etc. As possibilidades em comunicação são extensas, dependendo da verba, é claro.

Mas o mais importante é lembrar sempre que o público interno não pode ficar de fora da implantação de projetos de sustentabilidade. Este é um grande erro de estratégia.

09.11.09

Genialidade não vem de berço

Enviado em Análise Crítica, Gestão de Negócios, Interfaces Comunicacionais, Reflexões tagged , , , , , , às 01:13 por Ricardo Campos

Outro dia, lendo uma matéria publicada em Época Negócios por Clemente Nóbrega e intitulada de “Gênios por acaso” me deparei com uma grande verdade: “a história da inovação é assim: alguém inventa, outro pega e dá um uso estranho a intenção original.” A síntese da matéria é que a inovação ocorre por meio de uma seqüência de adaptações, uma puxando a outra e que raramente criamos com base nas nossas necessidades.

A matéria cita diversos exemplos de invenções que foram adaptadas e fizeram mais sucesso que a idéia original, como o fax inventado pelos americanos, mas que com os japoneses fez tanto sucesso e gerou tanto dinheiro, ou a história da Sony, empresa japonesa que comprou a custos módicos de uma empresa americana a patente do transistor, lançando em 1955 o primeiro rádio a pilha, mudando a história da comunicação e do mundo.

A matéria também demonstrou que muita das vezes uma idéia revolucionária não é criada com base nas necessidades do cliente, mas a necessidade é criada com a própria idéia após ser transformada em um produto ou serviço.

Hoje, enquanto profissionais, somos impelidos a ser criativos, a criar estratégias inovadoras que mudem a cara de nossos negócios e gerem mais valor, e tudo em tempo recorde, afinal com um mundo tão dinâmico as exigências são cada vez maiores.

Inovação: genialidade não vem de berço

Inovação: genialidade não vem de berço

Mas já que a genialidade não vem de berço, o ponto forte para esta reflexão vem da capacidade dos profissionais terem a sensibilidade para adaptar boas idéias nos negócios em que atuam, não sendo necessário uma cobrança surreal pelo novo, a expectativa pela genialidade que só existe na cabeça dos patrões.

Em conversa com uma amiga profissional da área de RH ela também me revelou que na empresa em que atua a cobrança desenfreada por novas estratégias já chegou a beira do exagero, e que as estratégias criadas anteriormente não tem tempo de ser internalizada pelos colaboradores. “Com tanta coisa nova o cara fica perdido e a gente também”, completa.

Este é um dos exemplos de como uma gestão inábil pode prejudicar uma organização, fazendo com que boas estratégias caiam no ostracismo justamente pela falta de percepção de líderes que julgam que a quantidade de novas idéias é melhor que uma boa idéia. Idéia esta que com qualidade deve ter seu ciclo de maturação respeitado, para que consequentemente gere os resultados esperados e automaticamente demonstre a necessidade da implantação de novas estratégias.

09.07.09

Independência do Brasil, independência de um povo

Enviado em Análise Crítica, Destaque, Interfaces Comunicacionais, Reflexões tagged , , , , , , , , às 21:48 por Ricardo Campos

Nas margens do Rio Ipiranga, um grito ecoou naquele 07 de setembro de 1822: “Independência ou Morte!”, declarava D. Pedro, o Príncipe Regente. Aquela declaração rompia as relações políticas com Portugal, mas naquele momento não chegou a consolidar nenhuma ruptura com o processo colonial vigente na época.

Mas aquela declaração num longo prazo proporcionou ao povo brasileiro a liberdade de um país e de um povo que hoje consegue enxergar um presente muito melhor e um futuro cheio de oportunidades. Hoje, o Brasil continua um país com muitas distorções, mas que busca a democracia em sua plenitude, que vem tentando consertar os erros do passado, que tenta se recuperar da dominação de governos que mantiveram a estrutura colonial até a implantação das eleições diretas no país.

Atualmente é o povo quem escolhe seus governantes (apesar de se manter um processo maléfico de favoritismo, corporativismo e apadrinhamentos), o cenário econômico é favorável e já não temos mais a dependência financeira com os países ricos. Hoje somos emergentes, estamos em grupos de influência como o BRIC, e nossa voz já pode ser ouvida pelo mundo.

Portanto hoje é um dia para se comemorar, aquela proclamação trouxe não apenas a liberdade para o Brasil, mas a liberdade de um povo, a liberdade inclusive de poder manter um blog e transmitir para o mundo as minhas idéias.

Viva a Brasil, viva o povo brasileiro!

09.02.09

Mercado Educacional: comunicação mercadológica ou institucional

Enviado em Análise Crítica, Educação Superior, Ensino Superior, Gestão de Negócios, Mercado Educacional, comunicação tagged , , , , , , , , , , , às 21:32 por Ricardo Campos

Alguns mercados têm características peculiares, fatores próprios que podem aumentar ainda mais a tensão sobre a equipe de comunicação e marketing. Assim é o mercado educacional que tem no vestibular o grande ápice da sua comunicação mercadológica.

O desafio enfrentado pelos profissionais que atuam nesta área reside no fato de que a complexidade aumenta quando levamos em consideração que o vestibular acontece semestralmente, ou seja, a captação de novos alunos tem dia e hora para acabar, não dando chances, na maioria das vezes, que possíveis erros da campanha possam passar por estratégias corretivas.

A maioria das instituições inicia suas inscrições um mês antes da prova, mas muita das vezes a campanha só vai para a rua na metade do prazo, dificultando a formação de conceitos e conseqüente impacto no número de inscrições. O perigo é que as instituições optam por se comunicar com a sociedade sazonalmente, somente na época do vestibular.

Sabemos que a escolha de uma instituição por parte de um determinado aluno vem de fatores clássicos, como localização, infra-estrutura, valor da mensalidade, imagem percebida, atividades extracurriculares, inserção no mercado de trabalho, etc. E também de fatores psicológicos complexos, como os valores globais da instituição que se apresentam dentro de uma perspectiva de vida e de futuro para o aluno, relacionamentos sociais, status, etc. Daí levarmos em consideração de que o processo de decisão sobre a instituição que se pretende estudar parte muito antes deste contato com a comunicação mercadológica.

Vestibular: fatores clássicos e psicológicos dão complexidade a comunicação

Vestibular: fatores clássicos e psicológicos dão complexidade a comunicação

Surge então a importância da comunicação institucional, realizada das mais diferentes formas, seja no patrocínio de eventos de alto impacto entre os jovens, na comunicação de massa destacando aspectos positivos de sua atuação na sociedade, no relacionamento aberto com a sociedade, gerando parcerias de valor e garantindo uma ampla divulgação espontânea. Enfim, é possível trilhar caminhos que permitam a instituição estar em constante destaque, principalmente nas áreas de ensino em que atua, possibilitando indicações e referências que a comunicação mercadológica não consegue proporcionar.

A resposta para a pergunta do título deste post então é lógica, o investimento tem que ser feito contemplando as duas frentes, iniciando uma campanha institucional antes do período do vestibular e na sequência alinhar a campanha mercadológica, garantindo presença e a lembrança na cabeça dos potenciais prospects.

08.17.09

Globo x Record: nesta briga alguém tem razão?

Enviado em Análise Crítica, Fontes de informação, Interfaces Comunicacionais, comunicação tagged , , , , , , , , , às 17:00 por Ricardo Campos

Temos acompanhado diariamente o embate entre a Rede Globo e a Rede Record, uma briga de “cachorro grande” que tem ao centro os telespectadores, obrigados a assistir diariamente as denúncias de ambos os canais, longos minutos dispensados para ver como a briga pelo poder da comunicação e do discurso é suja. Diante da “lama” jogada no ventilador, quem é santo nesta história?

Para quem é comunicador, como eu, aprendemos ainda na faculdade que o poder exercido pela comunicação de massa é o imenso, afinal por meio de uma novela, de um telejornal, de um documentário, é possível criar tendências, eleger e derrubar presidentes da república, fazer com que a grande massa siga como um robozinho para onde os interesses das ondas da televisão mandarem. Sábios deste poder, a Globo que sempre comandou sozinha a programação brasileira agora vê batendo a sua porta a Record, canal que era evangélico, mas que se rendeu a programação pagã para alcançar os mesmos níveis de audiência da sua concorrente.

Não é preciso muita atenção para notar que estas duas Redes de Televisão estão no mesmo caminho, não apenas na programação que está cada vez mais parecida (vide os programas como Globo Repórter e Repórter Record, BBB e a Fazenda) mas também nos erros, nas falcatruas, na opção de continuar levando ao público uma programação que banaliza o sexo, a família, a violência, uma programação que pode ser chamada de “tábua rasa”, sem muito a acrescentar.

Os interesses sobre a televisão são tão grandes que o próprio Ministro das Comunicações, Hélio Costa, recentemente soltou esta máxima: “Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet, tem que assistir mais rádio e televisão” Veja bem, nosso próprio ministro interpelando os jovens contra o uso de uma mídia tão plural e democrática quanto a internet para atender aos interesses dos grandes grupos de comunicação e a manutenção do monopólio da informação.

Para concluir estas reflexões sobre a briga entre a Globo e a Record gostaria de destacar dois pontos:

1 – A briga é entre duas redes de televisão que tem interesses mercadológicos e financeiros na manutenção da audiência. Não podemos deixar que transformem uma briga entre empresários numa briga religiosa, como muitos estão tentando fazer. Atualmente a Record não representa os seus milhares de evangélicos e nem a Globo os católicos e qualquer discurso ao contrário não passa de uma tentativa de aumentar ainda mais a audiência e a geração de lucros astronômicos.

2 – Olhando para a atual situação, podemos afirmar que alguma rede tem razão neste embate que acompanhamos na última semana? É bom lembrar que “pimenta nos olhos dos outros é refresco” e que as redes não estão abertas para olhar para seus próprios problemas antes de apontar para o erro das outras.

Que possamos sim ter uma opinião a respeito da situação, aguardar que os órgãos competentes possam punir os desvios, mas sem nos deixar levar pelo denuncismo barato das redes que brigando para provar “quem é a pior” deixam de lado o verdadeiro debate que é a exigência de uma programação de qualidade.

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