11.10.07
Comunicação: o desafio da integração
Muito utilizada na academia e no discurso das organizações, a Comunicação Integrada ainda é um desafio que permanece para profissionais de comunicação que trabalham, em tese, para um objetivo comum.
Segundo o site Comunicação Empresarial, coordenado pelo diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa, professor e jornalista Wilson da Costa Bueno, a Comunicação Integrada consiste no conjunto articulado de esforços, ações, estratégias e produtos de comunicação, planejados e desenvolvidos por uma empresa ou entidade, com o objetivo de agregar valor à sua marca ou de consolidar a sua imagem junto a públicos específicos ou à sociedade como um todo.
No projeto de extensão “Comunicação Integrada nas Organizações”, o qual fiz parte de 2003 a 2005, fomos um pouco além e definimos a Comunicação Integrada da seguinte forma:
“A Comunicação Integrada é a estruturação da comunicação nas organizações que congrega dois vértices: comunicação institucional e comunicação mercadológica. Essa atividade parte do princípio de que se deve trabalhar integradamente todas as áreas das organizações que lidam diretamente com os públicos, tais como: Jornalismo, Produção Editorial, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, entre outras. Desse modo, serão alcançados resultados positivos nas ações comunicativas empreendidas pelas organizações.”
É possível perceber que a Comunicação Integrada pressupõem a união dos esforços das áreas de comunicação na busca pela unificação do discurso institucional, gerando identidade para as ações empreendidas por cada departamento, barateando os custos e evitando a duplicidade de esforços.

Mas a realidade que encontramos em agências e nas organizações é um trabalho individualizado, com ações e estratégias desarticuladas, com disputas internas que vão na contra-mão do que estipula conceito. Perdem os profissionais, perdem as organizações e principalmente a comunicação, que poderia gerar resultados superiores e o fortalecimento junto ao empresariado brasileiro, que ainda investe muito pouco no setor em comparação com outros países.
No artigo “A comunicação (des) integrada”, o mesmo Prof. Wilson da Costa Bueno faz uma forte critica na propagação do conceito, utilizado constantemente pelas organizações e agências, pois segundo ele, esta não é uma realidade brasileira. Bueno ressalta que esta separação vem das próprias escolas de comunicação que segmentaram as áreas e nos ensinam uma visão equivocada do outro.
Mesmo neste cenário de disputa e equívocos é possível implantar uma gestão integrada de comunicação e colher bons frutos com a contribuição de profissionais de diversas áreas. No projeto de extensão já citado, trabalhamos integradamente, alunos de Relações Públicas, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Produção Editorial. O resultado foi um trabalho articulado que gerou resultados e atendeu as expectativas do nosso cliente, a Pastoral da Mulher Marginalizada. Posteriormente este projeto foi reconhecido pela Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação – Intercom, por meio do Expocom realizado no Rio de Janeiro em 2005, onde conquistamos o primeiro lugar na categoria “Comunicação e Cidadania”.
Fica a provocação: vamos acabar com este paradigma?
Dica: O site do Projeto de Extensão Comunicação Integrada nas Organizações do Uni-BH deve passar por uma reformulação, com atualização do layout e de todo o seu conteúdo. A iniciativa partiu da relações públicas Débora Diniz, ex-integrante do projeto, que após um encontro me motivou a elaborar um novo projeto nesta área. É importante destacar que o projeto foi finalizado em 2005, mas como a discussão sobre a comunicação integrada ainda é um tema presente, faz-se necessário uma atualização do conteúdo do site. Visite o site e fique ligado nas atualizações.
11.08.07
Experience Marketing na geração de valor para instituições de Ensino Superior
A área de educação superior em Belo Horizonte é um mercado de extrema concorrência. Recentemente uma consultora educacional me confidenciou o seu espanto com a quantidade de Instituições de Ensino Superior (IES) que existem na capital das alterosas. A percepção da consultora partiu da quantidade de outdoors de IES espalhadas pela cidade. Segundo ela, na cidade de São Paulo a concorrência não é tão propagada.
Neste cenário altamente competitivo se destacar é uma arte que consome os neurônios dos profissionais de comunicação e marketing que buscam possibilidades para conquistar novos alunos.
Mas uma das estratégias mais eficientes existentes no cenário educacional é a experimentação ou o chamado Experience Marketing. O Experience Marketing é um conceito criado por Bernd Schmitt, um dos especialistas mais respeitados em Marketing Estratégico, Identidade Corporativa e Marcas da atualidade.
Após uma experimentação estratégica em um hotel do Oriente que disponibilizava patos de borracha no quarto de seus hóspedes, Schmitt descobriu que o pequeno brinde era uma forma de seus clientes terem ligações emocionais com o hotel, toda vez que estivessem em contato com aquele souvenir. O marketing de experiência tem como objetivo possibilitar que o cliente ou os públicos envolvidos com a organização, possam vivenciar tudo que um produto ou serviço possa provocar. O conceito partiu da percepção de que o ser humano não é somente racional, mas muito ligado aos aspectos emocionais. O marketing de experiência consegue tangibilizar o serviço provocando uma experiência única, inesquecível.
No caso da área de educação, o Experience Marketing permite que os clientes possam ter todas as sensações no contato direto com o trabalho que é desenvolvido pela faculdade, sendo mais eficiente que a apresentação das características e habilidades de um curso, por meio de folders, outdoors, busdoors e outros meios tradicionais de comunicação.
Desta forma são utilizadas diversas estratégias, onde a comunidade local ou mesmo uma sociedade inteira tem a oportunidade de vivenciar todo o conhecimento que é produzido na academia, por meio de eventos na comunidade, envolvendo palestras, apresentações culturais, atendimentos nas áreas da saúde e da educação. Os prospects podem fazer visitas monitoradas para conhecer laboratórios, bibliotecas e toda a infra-estrutura que é oferecida. Podem ainda participar de uma aula de verdade para poder vivenciar toda a emoção de estar sentado numa cadeira de uma faculdade. Para os pais e acompanhantes é possível ter contato com atividades elaboradas pelos cursos nas Salas Vips, espaços preparados com toda infra-estrutura e conforto para recebê-los nos dias das provas do vestibular. As possibilidades são muitas.

Alunas do Uni-BH em atendimento a comunidade
Foto Letícia Bessa
Em matéria intitulada “Jogo de Conquista” divulgada pela Revista Ensino Superior, ed. nº. 109, o autor Rodrigo Afonso destaca que:
“a quantidade de informações que os vestibulandos recebem é excessiva e que os métodos tradicionais já não dão conta de divulgar o nome e os serviços da instituição. Os futuros estudantes do ensino superior valorizam muito a informação e a manutenção do relacionamento da instituição que pretende fazer parte de sua vida nos próximos anos.”
A experimentação aparece como uma grande estratégia de relacionamento que agrega valor ao negócio educacional, pois consegue se aproximar de um dos principais elementos de conquista de um público: a emoção.
11.02.07
RP e a Web 2.0
Profissionais de Relações Públicas não gostam de tecnologia.
Calma! Esta afirmação não é categórica e nem abrange a maioria dos profissionais, mas uma grande parcela de relações públicas que insistem em ficar de fora de tudo que envolve algo além do Word, Excel e PowerPoint.
Esta percepção parte do desconhecimento e da resistência para com a tecnologia por parte de um grande número de profissionais da área. Muitas pessoas do meu convívio, que estiveram comigo na área acadêmica e mesmos profissionais já formados, ainda não sabem enviar e-mails, anexar arquivos, navegar nas possibilidades da internet, etc.
Num momento em que muito se discute sobre as possibilidades criadas pela Web 2.0 e sua utilização por parte dos profissionais de comunicação, surge a pergunta: Os analfabetos digitais conseguirão se adequar ao uso das novas tecnologias e usufruir de todas as possibilidades criadas pelas ferramentas digitais?
Acredito que não, pois os avessos a tecnologia são extremamente tradicionalistas e continuarão alocando seus esforços em instrumentos tradicionais de comunicação e que muitas vezes não alcançam seu objetivo, já que hoje possuímos equipes extremamente informatizadas.
Este fato nos conduz ao conhecimento das novas tecnologias como forma de criar novas possibilidades de interação para atender as expectativas dos públicos institucionais.
A vanguarda na Web 2.0 está a cargo de profissionais de relações públicas empreendedores e de profissionais de outras áreas, que atentos as novas demandas de mercado, vem “beliscar” um mercado em potencial, que se tratando de mensagens institucionais, deveria ser dedicado aos RPs.
Já vimos este filme antes, não?!?